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quinta-feira, agosto 14, 2003

POSSO IR CONTIGO?

- Posso ir contigo? – Perguntei-te. Olhaste para mim do cimo do teu metro e quarenta e um.
- Não! – Respondeste. Olhaste para a amiga com quem ias e riste-te alto.Tão alto.
Eu compreendi. Eras bonita, estavas na berra e eras mais alta. Quem te ganhasse, subia aos milhares em prestígio. Que poderias tu querer de mim?
Nesse ano longínquo, dos meus longínquos 10 anos, fui sózinho para a escola.
Todos os dias.
Não me importei, tive sempre a tua companhia, a tua imagem, no meu pensamento.
Entretanto crescemos, fizemos o preparatório, o secundário, fomos para a universidade. Acabámos o curso. Namoraste. Casaste. Divorciaste-te. E eu sempre contigo no pensamento.
Ao longe, guardava-te. Eras a minha companhia. Esperava por ti.
Houve uma altura em que te perdi.
Encontrei-te anos mais tarde, numa sapataria, estavas ainda mais bonita do que quando te conheci, mais mulher, mas mais baixa. Cabelo apanhado, os mesmos olhos lindos, o mesmo sorriso que nunca foi para mim, mas pelo qual me apaixonei.
Reconheceste-me. Cumprimentámo-nos, matámos saudades, lembrámos histórias. Convidei-te para jantar. Aceitaste.
Falámos, rimos, apaixonaste-te. Eu não precisava.
Não sei como aconteceu, nem porquê.
Só sei que me fizeste feliz, quando, ao sair do restaurante me perguntaste: Posso ir contigo?

quarta-feira, agosto 13, 2003

SOUBE HOJE QUE CASASTE

Soube hoje que casaste. Eu adivinhava. Tinham-me dito que namoravas. Nunca me disseste. Não sei se apenas porque tu própria não acreditavas. Eu não acredito.

Adorava quando acordávamos e fumávamos o primeiro cigarro em jejum, nús, na cama. “Isto é perfeito!” – dizíamos, entre nuvens de fumo.
E riamos.
“Que queres da vida?” – perguntaste-me. Eu respondi: “Isto. Quero apenas isto. Acordar sempre ao teu lado. Todos os dias. E tu?”
Olhaste para o lado, mandaste a cinza para o cinzeiro e mentiste: “Eu também.”

Sei que ele é bem parecido e tem uma boa posição. E que os pais têm uma herdade lá para os confins do Alentejo.
Grande coisa.
Eu tenho uma janela só minha, onde tenho Lisboa inteira.
Adoro aquela janela. Quantas vezes te vi lá? Com o pôr do sol a tocar-te o corpo e a tua sombra a tocar em mim.

Nunca te tive. Tu eras como a sombra que estava em mim. Sobre mim, mas não me tocava. Era ilusão.

Soube hoje que casaste. Que sejas feliz. Na minha janela tenho Lisboa, só já não te tenho a ti.

terça-feira, agosto 12, 2003

ROCHEDO

É um rochedo que descobri. Conheci-o numa daquelas deambulações que se fazem, não se percebe porquê. Às vezes, só para sentirmos o fumo de um cigarro.
- Apetece-te? – Pergunto-te. Respondes que sim.
Levantamo-nos do marasmo a que chamamos sofá, apagamos a televisão, vestimos uma camisola grossa de lã, enfiamos umas calças.
Tu calças aquelas botas amarelas de montanheiro (que te ficam tão bem, melhor do que nos anúncios). E, por fim, metemo-nos num blusão quentinho.
Saímos.
Não há sensação melhor. O frio. Mal começamos a andar já temos a cara gelada. Adoro a tua cara gelada. O teu nariz vermelho. E a gargalhada que dás, sempre que te digo isto.
Gosto quando vais a correr para o carro e dizes: Depressa! Corre! Despacha-te!
E eu abrando um bocadinho a passada, só para ver a expressão impaciente que fazes à minha espera.

Chegamos. O rochedo lá está. Com uma paciência infinita, aguenta o mar que o ataca, com força.
Abraço-te. Tenho medo de te perder nesta invernia. Assusta-me. O mar tão perto está revolto e urra de força. Mil vezes vai de encontro ao rochedo onde estamos. E nós assim. Quietos. Abraçados. A ouvir.

Beijo o teu nariz gelado e vermelho. É assim que gosto de me sentir ao teu lado. Como um rochedo.

HOME SWEET HOME II

And in your own mind you know you’re lucky just to know her
And in the beginning all you wanted was to show her
But now you’re scared
You think she’s running away
You search in your hand for something clever to say
Don’t go away
‘Cause I want

To keep you in my pocket
Where there’s no way out now
Put it in the safe and lock it
‘Cause it’s home sweet home
Home sweet home

The White Stripes

UM DIA

Um dia, chegarás.

Como virás vestida?
Como será o teu cabelo?
A que cheirarão as tuas mãos?
Qual o sabor dos teus beijos?
Como brilhará o teu sorriso?
Como sorrirão os teus olhos?

Um dia, chegarás.

E eu aqui.
Não me vês?
Escondido.
Emboscado.
À espera que apareças.
Para te agarrar...
Com todas as minhas forças.

segunda-feira, agosto 11, 2003

AZUL COBALTO

"A favor" do nosso "equilíbrio"...

...Obrigado!


CONCORDO!

Concordo com a Missy quando diz que o atípico está um blog interessante, nada enfadonho e até tem piada!

HÁ HORAS FELIZES

Há horas felizes...

Olho para o relógio de vez em quando. E espero.

Por enquanto ainda nada. Imagino como será a minha hora feliz.

Será quando alguém me disser: "Gosto de ti." Ou então: "Quero ficar contigo." Outra que me sabia bem ouvir era: "Fazes-me feliz." Mas aquela que era mesmo, mesmo perfeita seria: "Completas-me."

A merda do ponteiro dos segundos não pára. O sacana lembra-me que o tempo não pára, não anda para trás, não cede. A vida esvai-se com este movimento, e nós, muitas vezes, nem damos por isso.

O tempo dá a impressão de abrandar quando estamos sózinhos. Demora mais a passar quando damos por ele, quando esperamos que alguém nos diga: "Amo-te."

Olho mais uma vez para o relógio. E espero. Não vejo fila nenhuma, mas sei que a minha hora ainda não chegou.


sábado, agosto 09, 2003

CARTAS RASGADAS



Olá,

Estou a roer-me por não saber estimar-te, por não saber cuidar-te, no fundo, não saber ter-te...tenho vergonha.

Sou como aqueles putos mimados...que querem muito um cão e depois se apercebe que ter um cão dá muito trabalho...não é só dar festinhas...é dar de comer, é dar banho, é brincar, é passear...
...E às vezes por medo e outras por preguiça, não cumpro...e fico a roer-me.

E roí-me quando foste a Cuba, e eu, por medo, não ter estado onde devia...ao teu lado, à tua altura. À altura da única mulher que me fez e faz feliz...desculpa...
O que me rói é que nem sequer devíamos ter discutido o facto de eu não estar à tua espera...eu tinha de estar era lá e VIVER contigo tudo aquilo que viste, que sentiste, que te fez rir, tudo...amar-te é estar contigo em TUDO! E não sabes o medo que eu tenho de não estar à altura...

E afinal aconteceu...abriste os olhos e surgiu a dúvida de que eu não estou à tua altura...então tem esta certeza, não estou...porque és um ser que vive...que gosta de sentir que fez tudo para conseguir ver e desfrutar o máximo possível do mundo, deste mesmo mundo que me atrofia, me atordoa, me rebaixa.

Meu pássaro lindo...sou como o Galo, todo vaidoso, com as suas cores garridas, e o seu ar seguro...mas só dentro do galinheiro, com os seus pares...cá fora foge correndo, a cacarejar e a borrar-se todo.
O Galo que te inveja quando te vê a passar a voar por cima dele...muito alto...a ver o mundo...e ele ( eu ) a pensar: “ quero chegar ali...e estar com ela”...estar contigo.

Não te minto quando te digo que não tenho dúvidas...nunca as tive. És tu quem eu quero...és a minha metade. Mas também não te menti quando te disse que não sabia namorar...que me tinhas de ensinar, de me ajudar.

E uma vez mais te peço...ajuda-me...

Nem sei mais o que te diga...apetece-me dizer-te tudo, e não dizer nada...só roer-me, aqui, baixinho.


Amo-te

SÁBADO


Mais uma vez estou só, como é costume.

Está a calor, não apetece fazer nada. Os amigos ou estão de férias ou estão em casamentos.
Na piscina, há uma montanha de gente que se atropela e acotovela, mas que ri, feliz.

Como é que eu não consigo desfrutar dessas merdas? Sabe-me bem estar sossegado, não me apetece andar aos coices, aos encontrões.

Serei assim tão estranho?

Foda-se! Só quero um cantinho meu para poder estar com quem amo e desfrutar daquelas pequenas que fazem um homem e uma mulher ficarem felizes!

O cantinho ainda se arranja, mas e a mulher? Sou mesmo é encalhado!

Onde é que me desviei do curso normal da vida? Ainda não percebi!

Enfiei-me num curso. Arranjei namorada. Licenciei-me. Arranjei emprego. Qual é o próximo passo? Casamento, respondem-me.

Com quem? A gaja fugiu-me!
E nem acredito que escrevo isto com um sorriso nos lábios! Não era a ti que queria para o futuro, desculpa-me. Ainda bem que me fugiste, foi tão mais fácil.

Só quero aquele semi-círculo que preenche o meu. Assim, certinho, sem falhas...aquela mulher perfeita que me completa e a quem completo.

Estarei a pedir assim tanto?

Onde estás? Que não te vejo?

sexta-feira, agosto 08, 2003

PREGAR AOS PEIXINHOS

Um sincero obrigado pelo teu comentário!




PHARE A ON!

Em francês nos entendemos. Desde que vimos aquele filme, lembras-te?

Lembrei-me agora, que nunca te agradeci.
Por estares ali, enquanto eu esbracejava e caía.
Foste, com a tua amizade, uma das mãos que me amparou e amorteceu a queda...
- Não doeu!- Gritei eu, orgulhoso. Por dentro roí­a-me de dores e gemia, baixinho.

Eu sei que a luta era minha e que me devia ter defendido, como sempre te disse que se devia fazer.
Mas uma coisa é dizer, outra é viver. Vá lá, pelo menos aprendi isso.

É sempre assim que te quero. Aqui, à  distância de um abraço, para quando eu precisar outra vez.

Obrigado!

UM NOVO DIA

Um novo dia nasceu, e eu já quero que ele acabe.
Não sei dizer porquê.
Estou farto!
Mas farto de quê?
De nada!
De tudo!

Dizem:
A Felicidade não se acha, procura-se.
E se a minha Felicidade for o não achar?
E se não for?

Porque não apareces e brilhas?
Que cegueira, tanta gente à minha volta
E não acho ninguém...


Encalhado

quinta-feira, agosto 07, 2003

HOME SWEET HOME

Acabei agora de chegar a casa. Estou só. Está tudo na rua. Só ficou a cadela...e nem essa me liga.

Agora a parte boa.

Acabei de saber que isto foi lido por uma pessoa!

Obrigado pessoa, tu sabes quem és.

Ah e um recado para ti, pessoa: Tudo o que leres no outro Blog, é uma palhaçada, é um gozo, não sou eu! Percebes? Pareceu-me que ficaste desconcertada...não fiques! Não sou mesmo eu!

Se sim abana a cabeça e diz-me no messenger que percebeste, depois de leres isto. Combinado?

Detesto causar má imagem...ela já não é boa, confesso, mas com esta treta dos super-egos ainda conseguiu ficar pior!

Que deprimente!

Eu disse que isto ia ser triste!! Eu avisei!

Encalhado

O ENCALHADO

A quem um dia ler isto...

Um ser encalhado, é um ser sózinho, que encalhou e não sabe para onde se virar, são as suas histórias e os seus sucessos e insucessos que vão reger este blog.

Nota do Editor:
Eu comparava isto ao Diário de Adrian Mole, mas numa vertente mais pesada e menos optimista...veremos o que sai daqui!

Bem hajam, amigos!

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