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sexta-feira, outubro 31, 2003

URGÊNCIAS...

Entro em casa, cansado. Mortinho por me enfiar no duche. Para limpar as impurezas lá de fora. Não gosto de trazer as preocupações para dentro de casa. Sabes isso. A nossa casa é o nosso mundo. Só eu e tu. Juntos.

Não estás. Deixaste um papel onde se lia:

“ Quando leres estas palavras, já não estarei aí...Desculpa.”

Esbugalho os olhos de susto. Continuo a ler 5 linhas mais abaixo:

“ Ehehehe eu sabia que te assustavas, estou a brincar.
Fazes-me feliz e por isso, quis fazer-te um jantar especial. Um jantarzinho só para nós. Para matar a rotina. Esqueci-me de umas coisitas, volto em 10 minutinhos.

Beijos.
Amo-te
Sónia”

Sorrio. Já voltas. És mesmo doida. Isto não se faz.

Olho em volta. Sinto a casa vazia.
De repente, não sei porquê, dá-me vontade de dizer-te que te amo, que te sinto a falta, que te quero. Muito.
Quero dizer-te que sou teu. Completamente.
É uma urgência que me entra corpo dentro. Preciso de te abraçar e sentir-te. De te beijar. De olhar-te nos olhos. Para ver se consegues entrar em mim e perceber o quanto te amo.
Quero ouvir a chave na porta, e ouvir-te dizer:
- Cheguei!

Em vez disso toca o telefone. Atendo.

- Boa noite. – diz-me uma voz desconhecida. Replico:
- Boa noite!
- É o senhor .......?
- Sou sim.
- Erh...hum...lamento informá-lo...houve um acidente.

quinta-feira, outubro 30, 2003

COMENTÁRIOS

Tem havido queixas que os comentários não são possíveis e eu tenho uma sede de os ler que nem vos digo...

Tentem isto: Comentem, salvem, aguardem, dá erro, façam refresh. Se não for possível...ajudem-me!! Indiquem-me um software de comentários melhor que este, que não me deixa ler-vos!

Obrigado pelo aviso Kaku e Sapage, e a todos os que tentaram comentar e não conseguiram...

HOJE VI A TUA IRMÃ

Hoje vi a tua irmã.
Conversei com ela. Uma daquelas conversas que sempre tive. Com ela. Fez-me bem.
Já não me lembrava dos olhos dela. Não a esqueci, apenas não me lembrava daquele brilhozinho. Daquele tremeluzir de olhos que sempre teve.

Gosto dela. Da tua irmã.
Foi...É uma amiga. Esteve aqui, sentadinha a meu lado. Está bonita. Com o cabelo mais comprido. Disse-me que se lembram sempre de mim. Que têm saudades minhas...

Eu também tenho saudades...

Descansa. Não são saudades tuas. São dos teus pais. Do Montinho. De apanhar espargos. Das noites frias de inverno em que bebia copos com o teu pai e depois saíamos pela invernia, a conversar sobre tudo, como bons amigos que fomos...somos.

Disse-me ela, que às vezes ao jantar, sentem saudades das nossas conversas. Das nossas discussões. Do nosso encher de copos. Das conversas à varanda.

Tenho saudades do riso da tua mãe. Do ar trapalhão do teu pai. Da candura da tua irmã. Da inveja que tinha do Paulo. Tenho saudades....

Quando, no final da visita da tua irmã, os nossos olhos brilharam de saudade e de haver tanto por dizer, rematei como despedida:
- Um dia quando vos rever a todos, não sei se não choro.

E a tua irmã, simples como sempre, apenas me respondeu:
- Isso não! Sabes como nós somos. Choras tu e choramos todos!

quarta-feira, outubro 29, 2003

CONTAS CERTAS

“- Olha, já está...acertei contas contigo. Já meti o dinheiro na tua conta. Beijos. Fica bem.”

E pronto. Terminou. Foi o fim. Acertaste contas. Não me deves mais nada. Podes descansar a consciência. Esquecer...
Ok.
Por ti está certo. Acabado. Enterrado.

Por mim, só me deves 4 anos de uma vida, que já não têm retorno. Não sei quanto é isso em dias. É melhor nem saber. Ia sentir-me pior. E não há dinheiro que pague o tempo. Não há.

Queria reavê-los. Com tudo o que investi. A ingenuidade. As noites perdidas. Os choros. Os desabafos. As tristezas. Os beijos. Tudo! Queria tudo de volta.

Mas não. Não volta. Também não quero, sabes? Assim fico avisado. Não me devo atirar de cabeça como antes. Devo molhar os pés primeiro e ver se a água está muito quente, ou muito fria. E só depois deixar-me banhar. Só assim consigo voltar a ter coragem de largar a âncora. Devagarinho.

Mas deixa lá. Há algo de positivo nisto tudo. É bom saber que há alguém dorme tranquilo...de contas certas.

terça-feira, outubro 28, 2003

SONHOS

Acordo. Quente, suado.
Sonhei. Sonhei contigo.

Não sei onde estávamos. Só nos vejo deitados. Agarradinhos. Por causa do frio.
Não. Não era frio. Abrigávamo-nos da solidão. Tentávamos, com o nosso calor, afugentar o frio de estarmos sós.

Tentei agarrar-te mais um bocadinho. Um nadinha mais forte. E tu disseste:
- Assim não. Que tenho calor.

Era assim. Quando eu buscava mais calor, tu dizias que era demais.
Mas ainda me sinto frio sabes? Ainda me sinto só.
Esse quentinho que me dás não chega. Preciso de mais, para vencer este vazio.

Acordo. Quente, suado.
Preocupado. Com medo.
Que não queiras mais calor e eu aqui, sózinho, tremo de frio...

segunda-feira, outubro 27, 2003

NAS MINHAS MÃOS

Nem sei bem como tudo começou...Se com sorrisos, se com olhares.
Só sei que começou a medo, devagarinho. E foi acelerando de uma maneira vertiginosa. Sem pensar. Sem pensarmos.

Encontrámo-nos em silêncio e em silêncio nos beijámos.

Os teus beijos percorriam o meu corpo e eu tentava adivinhar onde seria o próximo. Falhei sempre.
As minhas mãos tocavam-te e tu suspiravas:
- Essas mãos... - e beijavas com mais força.

Estavamos metidos numa explosão de prazer e desejo, onde cada beijo, cada suspiro, cada movimento, nos empurrava cada vez mais, para loucuras ainda maiores.
O cheiro do teu corpo ensandecia-me. Não pensava. Existia apenas.

Puxaste-me para dentro de ti. Foi mágico. Lindo. Não se descreve. Era ali que ambos queríamos estar. Um alinhamento celestial desenhado por nós. Perfeito.

Já foi há tanto tempo...mas de vez em quando ainda sinto o cheiro do teu corpo nas minhas mãos.

sexta-feira, outubro 24, 2003

O QUE RESTA DEPOIS DOS VIOLINOS

"Quando te esqueceres do meu nome,
quando o meu corpo for apenas uma sombra
a apagar-se entre as húmidas paredes daquele quarto.
Quando já não te chegar o eco da minha voz
nem ressoarem as minhas palavras,
então, peço-te que te lembres de que fomos
uma tarde, umas horas, felizes juntos e foi belo viver.
Era um domingo em Hampstead, com a frágil primavera de Abril
pousada sobre os rebentos dos castanheiros.
Passavam para a igreja apressadas freiras irlandesas,
crianças, endomingadas e bisonhas, pela mão.
Em cima, atrás das sebes, na verde penumbra do parque,
dois homens beijavam-se lentamente.
Tu chegaste, sem que me desse conta apareceste e começámos a falar,
tropeçávamos de riso nas palavras, balbuciávamos
no estranho idioma que nem a ti nem a mim pertencia.
De seguida fizeste-te pequena nos meus braços
e a erva acolheu os teus cabelos escuros.
Depois as escadas sombrias, longas e estreitas,
o tapete com cinza e com gordura,
os teus pequenos seios desolados na minha boca.
Sim, às vezes é simples e é belo viver,
quero que recordes, quero que não esqueças
a passagem daquelas horas, o seu esperançado resplendor.
Eu também, longe de ti, quando perdida a memória
estiver a sede do teu sorriso, lembrar-me-ei, tal como agora,
enquanto escrevo estas palavras para todos aqueles
que por um momento, sem promessas nem dávidas, limpamente se entregam.
Desconhecendo raças ou razões se fundem
num único corpo mais aventurado
e depois, acalmado já o instinto,
se separam e cumprem o seu destino
e sabem que, talvez só por isso,
a sua existência não foi em vão."

Juan Luis Panero
"Poemas"
Relógio D'Água
Julho 2003

quinta-feira, outubro 23, 2003

RECADO NO FRIGORÍFICO

Bom dia!
Só para te dizer umas coisinhas:

Gosto de ouvir-te ao telefone. É daquelas coisas...
Gosto que te rias, que amues, que suspires.
Gosto.

Apetecia-me ser tudo aquilo que precisas.
Um abrigo. Um farol. Algo que te fizesse vir para mim. Não o sou. E arrelia-me não poder dar-te tudo aquilo que acho que mereces.
Desculpa.

Nem sei que te diga.
Que tenho medo?
Sim. Muito.
Sempre.
Não quero falhar expectativas. Não quero. Não me apetece.
E já não suporto o sabor da desilusão, que ainda sinto nos lábios.

Que esperas de mim? Um abraço? Um carinho? Um sorriso?
Se fosse só isso, era tão mais fácil.
Não sei o que queres, nem o que precisas. Não sei nada.
Só sei que me preenches 24 horas por dia e ainda assim, sinto-te a falta.

Tem um bom dia lá no trabalho.
Beijos

quarta-feira, outubro 22, 2003

A LUZ NEGRA

Conheci-te numa festa qualquer. Éramos do mesmo curso, mas nunca falámos.
A primeira vez que me viste, olhaste com desdém. Estava tudo de fato escuro e vestido de noite e eu com uma camisola azul e uns ténis que brilhavam na luz negra.

Eu vi-te. E não gostei do teu olhar. Na verdade, odiei-te. Por isso e só para te chatear, perguntei se não ias a o bar por mim.
- Estou nesta figura. – Disse eu. – Fico aqui na sombra, a ver se os ténis não brilham muito!- Ri-me.

Tu riste-te e disseste que sim. Para surpresa minha.
Era uma discoteca fina, saquei uma nota de mil paus. E pedi-te uma cerveja.

Demoraste.

Enfim, lá apareceste com a cerveja. Estendo-te a mão para o troco. Tu encolhes os ombros e dizes:
- Não há troco. Estes chulos levam mil paus pela bebida. – E fizeste um sorriso envergonhado.

Ficámos amigos. Falámos o resto da noite. Dançámos. Levei-te a casa.
De repente, a conversa silenciou. Olhámos um para o outro, muito tempo, em silêncio. Decidi-me e beijei-te. Retribuiste.

Foi lindo. Foi mágico. Passei o fim de semana a voar baixinho. Na segunda-feira, estava à tua espera. Impaciente.
Para surpresa minha, passaste e fingiste que não me viste. Como se eu fosse ninguém. Nem olhaste. Como se eu não existisse.

Nunca mais me falaste.
Ainda bem. Não quero desculpas.
Não eras a tal. Azar.
Pelo menos voei baixinho.
Outra vez.

terça-feira, outubro 21, 2003

COMO NA SUIÇA

Há dias em que me apetece ficar pequenino e ir para aqueles cenários verdinhos dos comboios eléctricos, com pontes, pinheirinhos e casinhas. E viver ali. Feliz. Contigo. O resto da minha vida.

Cada vez que chega o Natal e vejo algum anúncio desse género, tenho vontade de ir a correr buscar um.
Montava o cenário todinho, uma montanha branquinha no topo, cascatas e riozinhos, vaquinhas e vizinhos simpáticos.
A nossa casa teria uma sala enorme, com uns janelões virados para o Sol. E relvinha (eu juro que compro um corta relvas), para os miúdos brincarem.

Já comprei 12 módulos, já tenho a montanha e os riozinhos, já comprei as vaquinhas e os vizinhos simpáticos. A nossa casa está prontinha. Linda. Com muitas divisões e a sala enorme.

Só faltas tu. O Natal passado fartei-me de procurar e não te encontrei.
Este ano, estou a fazer figas. Já avisei a malta toda, para me oferecerem mais módulos e eu vou correr as lojas todas até encontrar um onde finalmente, te encontre.

domingo, outubro 19, 2003

BEIJOS...

Tenho saudades dos teus beijos. Pronto. Admito.

Tenho saudades de te agarrar e beijar-te. Tenho saudades do teu rosto quando me pedias um beijo. De tos roubar. Sem aviso.
Chamávamos-lhe “um surripianço”. Em memória das vezes em que, antes de namorarmos, eu te prometi, não sei quantas vezes, que te roubava um beijo.

Até que aconteceu. Nunca mais me esqueço. Estávamos no bar. Ias tirar umas fotocópias. Pediste companhia, ninguém te a deu. Refilaste e seguiste caminho.

Eu faço um ar distraído e espero que dobres a esquina. Nesse momento, de um salto, desato a correr pelo meio dos edifícios. Dou a volta por fora e vou apanhar-te mesmo à porta de reprografia. Agarrei-te e roubei-te. Um beijo.

Foi um troféu. Tu espantada. Sorriste e depois riste-te.
Que merda.
Foi tão bom. E agora dói-me pensar nisso.
Dói-me pensar nesse brilhozinho de felicidade, que durou tão pouco e me pareceu infinito.

Gostava da maneira como a tua boca preenchia a minha. De ver os teus olhos fechados, como nos filmes. A mostrar, através desse gesto, o quanto me querias. Nunca beijámos muito tempo. Era mesmo o tempo certo. Como se adivinhássemos o desejo um do outro.

Isto tudo só para vos dizer que tenho saudades de beijar. Na boca.

sexta-feira, outubro 17, 2003

VIAGENS

Acordo. Agarrado a ti. São seis da manhã de uma segunda-feira. Daqui a nada partes. Novamente. Para trabalhares lá longe. Num sítio que me parece o fim do mundo. Neste momento, tenho-te aqui ao meu lado. Agarrada. O teu corpo juntinho ao meu. E não me apetece deixar-te.

Não me apetece largar-te. Não me apetece repartir-te com o mundo. Apetece-me estar aqui ao teu lado enquanto dormes. Acho que poderia estar aqui horas e horas. Só a olhar para o teu rosto. Tens um dormir que emana paz.

Na sexta, chegaste com um sorriso enorme, que te saía desses lábios que adoro beijar. Fizeste 30 quilómetros a mais, depois de uma viagem de 200, só para vir ter comigo, mesmo antes de ires ter com os teus pais.
- Só para te dar um beijinho. – E seguiste viagem. E fazía-lo por mim. Eu ficava tão feliz. Isto enche o ego de qualquer um.

Daqui nada partes outra vez. Durante uma semana inteirinha, sem te ver, só posso ouvir a tua voz.
Ainda nem sequer acordaste e já te sinto a falta. Apetece-me abraçar-te com mais força, mas tenho medo que acordes e te lembres que está na hora de partir.

Deixa lá. Vais-te embora hoje. Mas amanhã, antes de ir trabalhar, vou até lá longe, onde estás.
- Só para te dar um beijinho. – Direi.
Para te retribuir. O quanto me fazes feliz.

quinta-feira, outubro 16, 2003

DESPEDIDAS

O teu carro parte. Não acenaste um adeus, como costumavas fazer.

Antes de entrares no carro, beijaste-me. Na cara. Acariciaste-me o rosto. Não por carinho, mas por pena. Porque sabias que tinhas ferido. E disseste:
- Acabou. Um dia falamos, agora não, um dia... – Entraste, deste à chave, engrenaste e partiste.
Estava feito, estavas livre. Tenho a certeza que respiraste de alívio.

Fiquei ali, naquela estrada deserta, a olhar para nada. Melhor, a olhar para o que tinha sido uma vida, um sonho.
Estive para ali uma hora, a apanhar os cacos que um dia formaram o meu coração. Sem coragem de voltar para casa, sem coragem de avisar o mundo que estava novamente sózinho. Que aquilo que tinha dado estava perdido. Aquilo que poderia ter dado a alguém que fosse mesmo especial.

Entro em casa de suspiro aprisionado, com um nó na garganta, com as lágrimas a turvar-me a vista.
Abatido.
De rastos.

Procuro quem me ajude e não vejo ninguém. Não tenho com quem explodir. E quem vejo, não tem culpa, para ter de ouvir as minhas lamúrias, o meu choro, a minha dor.

Refugio-me no quarto e espero que chegues a casa, para te telefonar e pedir perdão, mesmo sem saber que mal fiz.

quarta-feira, outubro 15, 2003

GRÃOS DE AREIA


Começaste a ter pesadelos. O pior deles foi aquele em que estavas sentada numa praia, sobre um extenso areal dourado, encarando o pôr do sol – o que seria um sonho para muitos, era para ti um tormento.

Em vez de absorveres aquele espectáculo de cores, os teus olhos perdiam-se desesperadamente no movimento dos grãos de areia que te escapavam de entre os dedos. Acreditavas que cada um era um minuto de vida e que estavas sentada num imenso areal de tempo esgotado que tinha passado por ti sem que disso te tivesses dado conta.

Acordava sempre contigo a soluçar baixinho, respirando como quem está prestes a sufocar. Só acalmavas quando elaborava uma longa explicação para os pesadelos que te perseguiam vezes sem conta.
A prática deu-me argumentos, mas como a frequência dos sonhos foi aumentando, acabei por pedir ajuda a uma psicóloga, que me explicou que os medos só podem ser vencidos de frente. Mas o teu medo era interior, o teu monstro eras tu. E foi dentro de ti que te combati. Em vão.

Quando tiveste aquele pesadelo, pedi-te que voltasses à praia e te deitasses no chão, de braços abertos, encarando o céu.
– Vira as palmas das mãos para a areia mas não a agarres. Sente só o seu calor e deixa-te flutuar, como se estivesses no mar... por cima de ti só o ar e o sol. Respira.
E naquela mornidão acalmaste.

Foi então que te abracei e te expliquei que estavas deitada sobre o teu passado e que era ele que mantinha o teu corpo quente, vivo, porque tinha valido a pena teres esgotado cada minuto da tua existência, porque tinha valido a pena deixar escorregar cada grão de areia por entre os dedos, porque tinha valido a pena viver cada minuto da tua vida.

Plenamente...

Excerto de um texto nunca publicado

terça-feira, outubro 14, 2003

AQUELAS PEQUENAS COISAS

Gosto das noites de Inverno, das manhãs de Verão, dos fins de tarde de Outono, sempre acompanhado da Primavera. Que és tu.

De me embrulhar num lençol contigo, fechar portas ao mundo e poder disfrutar-te devagar, com tempo, que tantas vezes escasseia.

De ir ao castelo, e lá do alto, olhar em redor e ver os rios que se cruzam e se fundem num só. Como eu gostaria de me tornar contigo. Um só.

Ouvir a trovoada e a chuva lá fora. Eu abraçado a ti, dando-te o meu calor. E sentir-te aconchegada ao meu peito.

De passeios no campo, de mãos dadas, acompanhados apenas de felicidade e de sonhos.

Uma viagem de carro, contigo ao lado. Sem destino, apenas pelo prazer de estarmos juntos.

Gosto de me divertir contigo. De ver-te dançar. De ver os teus olhos procurarem-me, no meio da multidão. E do brilho que eles têm quando me descobres.

Gosto de ver os contornos do teu corpo nu e saber que me desejas.

Sou chato. Mas que queres?
Gosto destas pequenas coisas.

segunda-feira, outubro 13, 2003

A CASA

Cada vez que passávamos, de carro ou a pé, sempre olhaste para a aquela casa. E dizias-me:
- Olha a nossa casa. Ela um dia há-de ser nossa. É tão linda. E tem cá uma vista! Vamos ser felizes ali.

Eu sorria-te e abraçava-te um nadinha mais forte. A nossa casa. Que bom ouvir-te dizer isso. Fomos tantas vezes lá bater, saber quem seria o dono. Mas nada. Esteve sempre vazia. Sem ninguém. E o teu desgosto por saber que ninguém a habitava. Quando poderias ser tu a viver nela.

O tempo foi passando e foste-te embora.
- Para algo melhor. - Disseste. E partiste sem olhar para trás uma única vez. Em busca do teu sonho.

Eu, de raiva, descobri o dono, pedi um empréstimo e comprei a casa. A tua casa sonhada. Soube-me bem.
Tinha alguma coisa tua. Algo que cá deixaste.
Comprei mobílias, sofás, máquinas para tudo. Estantes que atafulhei de livros. Enchi aquilo de tudo.

Olho pela janela grande da sala.
Que bela vista tem esta casa. Tinhas razão. Tenho o Tejo ao fundo e ninguém mo tira. Olho para trás. A casa está cheia.
Olho uma e outra vez e noto um vazio. A casa sente falta de qualquer coisa.

Sente falta de ti.

domingo, outubro 12, 2003

E SE...?

E se te encontro?

Qual seria a minha reacção a ti? Que é que eu faria? Que é que diria?
Sinceramente, não sei.
Já se passou demasiado tempo sem paixão. Tenho pequenas sortidas, muito poucas, que logo são abafadas pela Razão.

Eu sonho-te todas a noites. Procuro-te e não te acho. E todas a manhãs, aquela sensação de tristeza não me abandona.

Como saberei que és tu?
Um calor no peito, no coração, um sorriso que se me cria nos lábios só de ver-te, uma vontade louca de te abraçar e beijar e querer falar contigo a todas as horas, serão bons indícios.
Penso eu...já nem sei.
Só sei que te quero. Aqui. Junto a mim.
Para fazermos aquilo que nos apetecer, lado a lado, felizes.


Só o facto de pensar em ti, faz-me sorrir. Nem te conheço, se calhar nunca te vi.
E esta sensação de conforto aparece-me assim, vinda do nada.

Olha, se me estás a ler...não te esqueças de mim.

Aparece!

sexta-feira, outubro 10, 2003

NÃO PEÇAS MAIS...

Quantas vezes me pediste tu, para voltar a ser teu amigo?
Não sei, perco-lhes a conta. Chateia-me. Aborrece-me. Não que mo peças, mas que não te consiga dar aquilo que me pedes.

Gosto de ti. Foste um sonho.
Mas o sonho tornou-se pesadelo. Magoaste e agora esperas que as feridas curem. O mais depressa possível. Para voltares a ter a minha amizade. Porque te divertes à brava comigo. Porque te faço rir. Porque sou um gajo porreiro.

Não consigo, desculpa. Não dá. Preocupo-me contigo, procuro saber como estás. Mas mais que isso, não me peças. Não te dou.

Não me peças para mexer mais cá dentro. Deixa que me reconstrua, que ganhe forças, que consiga ver luz.
Libertaste-me. Agora deixa-me viver essa liberdade. Deixa-me procurar a minha felicidade. Mereço isso.
Investi tempo e sentimentos contigo. Perdi-os... já não voltam.

Só espero que nunca te sintas a cair, como eu me senti. Sem nada a que te agarrares. Sem horizonte, sem saberes como vais aterrar. É uma sensação que assusta. Acredita em mim.

Caí. Mas estou bem, apenas com algumas amolgadelas. Tive a sorte de ter amigos que me ajudaram a levantar. Agradeço-lhes.
E agradeço a ti. Por me libertares. Por me ensinares. Por me fazeres ver que os erros se pagam. E que nunca mais me quero ver assim, desamparado.

Vou, como diz uma amiga minha, olhar para a Lua e perguntar pela minha felicidade. Pode ser que ela saiba.

quinta-feira, outubro 09, 2003

ADIVINHA

Na secundária, tinha um grupo de amigos, que ainda hoje se mantem. Não no contacto dia a dia, por não ser possível, mas temos reuniões ditas “de família”.
Encontramo-nos uma e outra vez, ocasionalmente, quando as agendas de cada um se conseguem conciliar.
Relembramos os velhos tempos. As bezanas, as aulas, as gargalhadas, os namoricos.

Mas o que me lembro melhor, são as festas que fazíamos, duas vezes por semana, em casa do Luís. Os pais dele passavam a maior parte do dia fora e ele conseguia ter a liberdade “caseira” que os outros não tinham.

Éramos uma cambada de doidos e doidas que ao som de Nirvana e Pixies (sempre...), se divertiam tardes inteiras e fins de semana dementes. Onde corria cerveja, vinho e risota. Era e foi bom.

E não sei devido a quê, a mãe do Luís, sempre que nos apanhava lá em casa e me via, dizia alto e em bom som:
- O Hugo é o último a assentar desta malta toda! – Não sei se na brincadeira, se a sério. E eu ria. Por não acreditar. Por não pensar que fosse possível.

E não é que acertou!?

Aquele dito ecoa ainda hoje nos meus ouvidos:
- O Hugo é o último a assentar desta malta toda!
E se ontem me ria, hoje já não me rio tanto...

Quem me dera que a mãe do Luís não tivesse adivinhado isso. Porra!
É que me sinto sozinho…

quarta-feira, outubro 08, 2003

E DANÇAR?

Dançar.

Gosto de dançar contigo.
De sentir o teu cabelo a fazer-me cócegas no nariz. De olhar o teu pescoço, tão bonito.

Tento evadir-me com a música e não consigo. Estás demasiado perto. Abraçada a mim.
Olho para ti e tento ler o teu sorriso. Adivinhar o que esconde esse brilho nos teus olhos. Será que estás feliz? Espero que sim. É para isso que respiro. Fazer-te feliz.

Rodopiamos. Gostas que te faça isso. Riste. E o teu riso contagia-me. Cerca-me, invade-me e eu não resisto.
Sou teu. E tu sabes isso. Sem que seja preciso que te diga uma palavra.

Foi a dançar que nos apaixonámos. Eu, nervoso e tímido. Tu airosa e bonita. Conversámos a noite toda, a dançar. Eu nem ouvia a música, apenas te seguia. E sigo. Para onde quiseres ir.

Quando danço contigo, sou feliz, muito!

Há vezes, enquanto dançamos, que duvidas da tua felicidade e perguntas:
- Tu amas-me mesmo? De verdade?
A minha resposta é sempre a mesma e nunca te minto:
- Quem me dera que conseguisses entrar dentro de mim. Para poderes compreender o que estou a sentir. Por ti.

Hoje, não me canso de perguntar aí para fora, para aquele alguém que ainda não conheço:
- Queres dançar comigo?

terça-feira, outubro 07, 2003

ESPERAS...

Já devias ter chegado.
Não sei o que se passa, ainda não telefonaste, nada.
A minha ansiedade cresce, assim como a minha vontade de te ver.

A verdade é que no minuto em que nos deixamos, sinto-te a falta. Não te sei explicar. É qualquer coisa próxima da loucura. Apetece-me ter-te sempre ao pé de mim. Resguardada. Não por ti. Por mim. És a minha companhia.

Já te disse que não gosto de despedidas?
É verdade. Não gosto.
Não suporto a dor que me traz aquele nó na garganta, que me esforço por engolir e que me leva lágrimas aos olhos.

Estás atrasada. Aparece! Bate-me à porta! Entra e abraça-me.
Vou para a janela, na secreta esperança de que, o ver-te chegar, te traz mais perto.
A mesa está posta, o vinho respira. Está tudo pronto. Menos tu. Que não me apareces.

Toca o telefone:
- Desculpa. Isto complicou-se por aqui. Não dá para ir aí hoje. Estou cansadinha. Pode ficar para amanhã? Eu daqui, vou directa para casa. Beijos. Até amanhã.

A ansiedade desaparece, para dar lugar ao despeito.

Penso. Nem sei se alto:
- Não apareces? Não vens? Que me interessa a mim? Fica onde quiseres. Que se lixe! Nem sequer me apetecia ver-te!

E tudo isto enquanto entro no carro. Para te fazer uma surpresa, esperando por ti. Em tua casa.

segunda-feira, outubro 06, 2003

PLANOS

Quando era pequeno, fiz centenas de planos de vida. Aos 10 anos decidi que só fumava aos 18, quando fosse grande. Mentira!
Aos 7, assustei-me por causa de uma conta que fiz, nas paredes da escola.
- 2000 menos 1951 igual a...49. 49? A minha mãe? Não pode ser! Ela é tão novinha...- Hoje, tem 52!

Eu, que nessa idade tinha a firme certeza e o não menos firme medo, de que haveria uma guerra nuclear que acabaria com isto tudo.
- De 2000 andarás de 2000 não passarás - Diziam os antigos.
E cá estamos, em 2003.

Aos 14, teria uma mota aos 16. Nunca a tive.
Aos 16, teria um carro aos 18. Chegou só aos 23.
Aos 25 estaria casado. Só acertei no final. No do, de Encalhado. Vá lá, ao menos isso.

Não vale a pena fazer planos. Não dá. Não se consegue.
Ok. Por mim, na boa.
Parem-me é a porra do tempo.
Não me apetece ter a idade que tenho. Não me apetece estar sózinho.

Não me apetece perder tempo! Gosto de companhia. De acordar ao lado de quem quero.
De abraçar, quando me apetece carinho. De dar prendas, de beijar na boca, de fazer rir, de viajar, de conversar, de fazer amor, de dar a mão.
Coisas tão simples...

Foda-se! E tenho tantas saudades, de fazer isso tudo.

Alguém me arranja um plano, que resulte?!

domingo, outubro 05, 2003

OS OUTROS

Há pessoas que não sabem a sorte que têm. Eu fui uma delas. Confesso.

Quando temos uma relação, cometemos o pior erro de todos. Facilitamos, caimos na monotonia, na rotina. No desleixo.
Foi à minha custa que aprendi essa lição. Para aprender tem de se errar. Infelizmente, é assim que acontece.

Já não falo dos meus erros, são passado. Não serão futuro. Falo daqueles que têm alguém.

Alguém que lhes sente a falta, que os acarinha, que os satisfaz, que os ama. E eles não dão o devido valor a isso. Sentem-se donos da “propriedade”. É deles. Chega. Já não precisam de fazer mais nada.

Uma relação é feita a dois. Com empatia, amizade, apoio, lealdade, honestidade, carinho, disponibilidade (tantas vezes difícil), e com chama, como diz uma amiga minha.

Mas apenas em pequenos momentos, quando as coisas correm mal, é que percebemos que sentimos mesmo a falta. Que não imaginamos viver a vida sem ela. Que precisamos dela. Da nossa companheira. Do objecto do nosso afecto. Dela.

Mas depois esquecemos, voltamos ao dia a dia e ao de sempre.

É nesse exacto momento de uma relação, quando se começa a esquecer, que eu afirmo:
Há pessoas que não sabem a sorte que têm.

Porque não acreditam sempre, que afinal, o tal alguém faz realmente muita falta.

sexta-feira, outubro 03, 2003

APENAS UM JANTAR

- Sexta-feira! Combinado? - Diz-me o Luís, entusiasmado.
- Sim. Combinado. – Respondo eu, sem vontade.
- Não me lixes, aparece! É apenas um jantar! – Insiste ele.
- Fica descansado. – Resmungo eu.

Fui convidado para um jantar. Não tá mal, são os colegas da faculdade e vou matar as saudades daquelas amizades. Que deixámos que se desfizessem. Cada um seguiu o seu caminho. Ainda revejo um ou outro na TVI (quando não mudo de canal) e pouco mais.

Chega Sexta-Feira, num instante, como se tivesse vindo a correr. O tempo é mesmo um sacana.

Apronto-me todo, não quero que pensem que ainda sou o vadio gadelhudo, que passava horas sentado no bar, a beber cerveja e a jogar às cartas.
Cresci, cortei o cabelo, só uso jeans ao fim de semana, já prefiro um bom vinho à cerveja e tornei-me sério. Se calhar, sério de mais. Mas adiante.

Chego pontualmente. Ainda não chegou ninguém. Sento-me numa das pontas da mesa. Nem quero pensar na figura que estou a fazer, o restaurante está cheio, há pessoas em pé. E eu aqui, sózinho nesta mesa enorme. Distraio-me a fingir que leio a ementa.
Entretanto, começa a chegar a malta. Primeiro, o Luís e a esposa. Cumprimentamo-nos e sentam-se ao meu lado. Frente a frente. Depois começam a chegar os restantes, dois a dois. Está tudo aos pares!
Uns casaram-se, outros juntaram-se, outros namoram, mas todos trazem as suas cara-metade. E vão se sentando, frente a frente, do lado do Luís.

Envergonho-me. Todos têm um sorriso em frente, alguém a quem piscar o olho e agarrar a mão. Eu só tenho um nada.
Enquanto comemos, faço o ar mais feliz e divertido do mundo.

Cá dentro estou a roer-me de inveja da felicidade deles e pergunto-me:
- Onde foi que eu me perdi? Onde é que eu errei? Eu fiz tudo certinho...
Eu não tive a culpa. Só não fui aquilo que alguém queria, mas que me fez acreditar que sim, que era.

É nestas alturas que a solidão nos ataca e deprime. Entra como se de uma onda se tratasse e varre tudo, menos a tristeza e o medo. O medo que temos de ficarmos sózinhos.

Levantam-se todos e faz-se um brinde, não sei a quê.
Eu, cá por mim, brindo ao futuro!

quinta-feira, outubro 02, 2003

2000

2000 visitas são o prémio que vocês me dão, por eu vos chatear com as minhas histórias...

Obrigado! ( digo eu, limpando uma lágrima...)

PORQUE CHORAS?

Ele: Porque choras? Diz-me porque choras.
Passaste o dia inteiro muda. Nem uma palavra. Sem reacção.
Que se passa?

Porque estás tão fria? Porque não sentes os meus beijos? As minhas carícias?
Porque não sorris quando te digo que te amo?

Que foi que eu fiz? Disse alguma coisa que não devia?
Porque não procuras o meu abraço?
Que se passa?

Estás tão triste.
Não vejo aquela luz, que trazes sempre contigo. Já não me procuras, já não te dás.

Que foi que eu fiz?
Que posso eu fazer?
Diz-me! Não gosto de te ver assim...

Ela: Não és tu. Sou eu! - E descamba a chorar.
Ele: Que és tu, sei eu! Mas que tens?
Ela: Já não te amo. – Confessa, por fim, entre soluços.

Horas depois, ainda incrédulo de que o fim seja definitivo, Ele chora desesperado e magoado, ao telefone:
- Que posso eu fazer? Eu amo-te! E eu? Que é que eu faço? Que é que eu posso fazer?

Silêncio do lado de lá...

- Nada! Acabou. – Diz finalmente, com voz firme e segura, sem soluços.
Desliga.

Assim, lá longe, é bem mais fácil não suportar o olhar e a dor que existe. Cá deste lado...

quarta-feira, outubro 01, 2003

HÁ DIAS ASSIM

Sento-me na varanda. Ao fundo o meu Tejo. Lindo, como sempre.
Saboreio um cigarro, devagarinho, só a apreciar a paisagem e a sentir-me um sortudo por tê-la e poder desfrutá-la.

Não me sinto alegre, nem triste. Apenas com uma sensação de conforto.
Por ter tempo.
Por ter espaço.
Abro um livro e leio-o, melhor dizendo, fumo-o, porque o saboreio, devagarinho.
Não se ouve nada. A casa está vazia. O bulício do dia-a-dia não chega até onde estou. Não há confusão, não há conflito.

Estou a gozar a minha companhia. Convidei-me para beber um copo e ler um livro. Nas calmas, sem pressas. Tenho tempo, tenho espaço e finalmente, tenho-me a mim.

Há dias assim. Mas são poucos.
Dias em que me sinto feliz, por ainda ser um encalhado.

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