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sexta-feira, janeiro 30, 2004

INTERACTIVIDADE

Vocês viram como estava a noite de ontem?!

Que se faz para ficarmos confortáveis e contentes, numa noite como a de ontem?

quinta-feira, janeiro 29, 2004

POIS...

...tenho saudades!

Como diz o Sr. Carne:

OK! Podem sair...até amanhã!

quarta-feira, janeiro 28, 2004

A PRIMEIRA VEZ

Prostrada, sente-o afastar-se. Apenas lhe vê as pernas. Magras. Que já estiveram entre as dela, em assomos de desejo, de vontade, de prazer.
Ela chora. Envergonhada. Confusa. Estupefacta. Não percebe como permitiu que acontecesse.

Mal se consegue mexer. Tudo lhe dói. Até o respirar.
As lágrimas turvam-lhe a vista.
Fecha os olhos. Sente as gotas quentes, que escorrem e lhe aquecem a cara.
Fora a sua primeira vez.

Sem querer, passam-lhe imagens de antes. De quando eram felizes. De quando ela sorria. De quando ele sorria.
Lembra-se das tardes de Domingo. Em que iam a Belém. Onde passeavam e comiam uns pastelinhos. Onde se sentavam nos bancos do jardim e onde trocavam beijos e confidências. Lembra-se do passeio no eléctrico, quando voltavam a casa.

Dobra-se um pouco mais e esconde-se nas mãos. Envergonhada.
Porque se lembra da cara dele. Tão nítida. Tão calma. Vê os seus movimentos quase em câmara lenta.

Depois não vê mais nada. Sente algo ofuscante e quente. A primeira bofetada. Pela primeira vez.
Depois, já não se lembra. Nem queria acreditar. Nem se tentou defender. Limitou-se a cair com a força dos murros. Já no chão, parecia um trapo, que se movimentava ao sabor dos pontapés. Não lhe doiam.

Doía-lhe mais por dentro. Por ver a pessoa que amava, a quem se deu, a quem beijava, a quem, feliz, jurou ficar junta para o resto da vida, fazer-lhe aquilo. A ela.

Sem um porquê, sem um aviso.
Pela primeira vez...

terça-feira, janeiro 27, 2004

HORIZONTE

Nasce o dia.
Assobiando e de mãos nos bolsos, ele caminha.
Olhando em frente. Admirando o caminho que lhe falta percorrer.

Já passou por muitos sítios. Mas nenhum o cativou. Nenhum o interessou. E continuou, andando, olhando em frente. Admirando o caminho que lhe falta percorrer.
Houve alturas em que se iludiu e pensou que determinado sítio seria aquele onde finalmente parava. Onde o caminho terminara.
Até que a ilusão terminava e ele, mais não fazia que meter-se de novo ao caminho. De mãos nos bolsos, olhando em frente.

Nunca hesitou. Nunca voltou atrás. Tem pressa em encontrar o sítio que o preencha. Onde se sinta completo.
Nunca hesitou. Nunca olhou para trás. Sem remorsos ou pena daquilo que deixou. Não era o sítio que procurava.

Nasce o dia.
Assobiando e de mãos nos bolsos, ele caminha.
Olhando em frente. Admirando e saboreando o caminho que tem pela frente.
Até que um dia, páre. No sítio que o completa, que o preenche.
Mas até lá, caminha sempre. Olhando em frente.

segunda-feira, janeiro 26, 2004

MONOPÓLIO

A vida às vezes, parece-me um jogo de monopólio.
Aquele jogo parvo que adorei em miúdo e onde, como de costume, nunca tive sorte nenhuma. Só fazia negócios em que perdia dinheiro. Não tenho jeito nenhum.

Estava quase sempre enfiado na cadeia. Ou por causa dos cartões da Sorte, ou pelas vicissitudes do jogo. Mas vá lá. Safava-me mais ou menos. Ou pagava o dinheirito à banca ou saía-me uma dupla.

Hoje em dia sinto-me assim. Num jogo de monopólio.
Preso. Num dos cantos do tabuleiro.
Enquanto os outros jogam. Enquanto os outros vivem. Enquanto amam.
E eu estou ali. Apenas ali, no canto. Esperando a minha vez de jogar. A minha vez de amar.

Quando chega a minha vez, mando os dados. Três vezes o faço. Em cada jogada. E nunca mais me saiu a dupla. Já mudei de dados. Já experimentei mandá-los com um copo. Já os soprei, como nos filmes. E não consigo a dupla.

O que me chateia é que vejo os outros a jogar. A viver. A amar.
E eu? Nunca mais jogo. Nunca mais vivo. Nunca mais amo.
Merda!

sexta-feira, janeiro 23, 2004

INVEJAS

Tenho inveja...

De casais que passeiam pelo jardim ao sábado. E a todos os dias de semana.
De ver dar as mãos. Unidas, como num abraço.
De ver beijar. Aqueles beijos mágicos. Que dizem tudo.
De ver os sorrisos apaixonados que eles têm na cara. E os olhares cúmplices.
De sentir todas aquelas emoções de se estar apaixonado.

Eu sei que é feio, eu sei que é mau, eu sei que é triste. Mas tenho inveja...

quinta-feira, janeiro 22, 2004

PASSADOS

Hoje visitou a sua antiga Universidade. Ele sente-a antiga, e só fizeram 3 anos que a deixou.
Quando lá entrou, tinha uma cara de tótó, cabelo comprido, umas jeans, a sua sempre preciosa T-shirt e os ténis mais russos que tivesse. Saiu de lá apenas com uma mudança. O cabelo cortado.

Revisitou lugares que considerava seus. Onde deu o primeiro beijo. Onde se costumavam sentar ao sol a conversar. O bar, companheiro de tantas horas. Os corredores.
Reviu a malta que ainda se mantém no atendimento ao pessoal.
Tudo lhe traz nostalgia. Sente-se cansado. Sente-se velho. Ultrapassado.

Viu de longe (e porque não teve coragem de se chegar mais perto) o sítio onde teve tantas conversas, tantos desabafos, onde mostrou, a medo, pela primeira vez aquilo que realmente era.
Baixou a defesa, tirou a máscara. Mostrou-se. Ela aceitou.
Sol de pouca dura. Ao fim de um certo tempo, aquilo que ele era, não lhe chegava. Não era o que ela queria. Para ela. Ainda bem.

Não há certezas, ele sabe-o. Mas naquela altura, podia jurar a pés juntos e meter as mãos no fogo, que era com ela que iria ficar.
O destino, finalmente, batia-lhe à porta.
Errado. Como sempre.

A parte boa é que ele tirou a máscara e nunca mais a voltou a meter. Não vale a pena esconder-se atrás de ilusões. Aprendeu a sentir e a viver o presente, com os olhos no futuro.
Aceitou-se. Assim como é. Nem mais, nem menos.
Nem mais, nem menos. Aceitou-se.
E isso, ninguém lhe tira...

quarta-feira, janeiro 21, 2004

AVISOS

“Não te cases!”
“Assim é que estás bem...”
“Se fosse hoje, eu...”
“Ter que aturar as cenas dela...”

Tenho estes avisos constantemente. Todos me dizem o mesmo. Todos.
A coisa é má. Há que aturar, mimar, fazer o que elas querem.
Há que sentirmo-nos presos, satisfazer aqueles “caprichos”.

Será?! Não faço ideia. Mas agradeço que não me avisem. Pode ser que eu seja diferente. Não sei. Pode ser...
Pode ser que os tais “caprichos” me deixem feliz. Pode ser que ame aquela maneira de ser chateado. Que tenha de ir com ela ao fim do mundo, por causa de “uns sapatos lindos que vi e não me lembro onde...”

Não sei. Deixem-me descobrir isso. Obrigado pelos avisos. A sério. Ainda bem que se preocupam em gestos altruístas com a felicidade dos outros. A sério. Obrigado. Mas de qualquer das maneiras apetece-me ter ilusões. Se calhar até bato com o focinho na parede, não sei.

Mas só vos digo uma coisa:
Quem me dera poder experimentar.

terça-feira, janeiro 20, 2004

PARABÉNS!!

Olá menina. Estou aqui para te dar os parabéns e para te saudar. Conseguiste!!
És licenciada! Caramba! Quem diria? Quem nos visse na escola primária ao pé do campo da bola, ou na preparatória? Ou pior ainda, naqueles anos loucos de secundária?

Éramos (somos) uns doidinhos, que viviam intensamente cada relação que tinham com os amigos, com o namorado(a) da altura, com as maluquices que se fazem enquanto crescemos. Já se passaram tantos anos. Isto da porra da vida passar depressa é bem verdade. Há que aproveitar. Cada minutinho.

Amanhã vais estar na tua (nossa) UCP e vais receber um papelinho que afirma que deste mais um passo em frente.
Escolheste-me para te acompanhar nesse momento e ainda bem. É uma honra que me concedes. Agradeço-te.

Nem sempre a nossa vida corre como desejaríamos ou esperávamos, mas são estas pequenas vitórias que nos motivam e nos fazem andar com mais firmeza em direcção ao futuro.

Adoro-te!
Até te dava um beijinho, mas tenho medo de te pegar a gripe...
Tenho a penca toda vermelha...

UM CONTO

Um príncipe encantado, daqueles bonitinhos. Daqueles que fazem uma mulher sorrir de antecipação. Porque sabem que com um corpinho e uma cara daquelas, ficarão muito satisfeitas. Mais que não seja por terem alguma coisa para onde olhar.

E andava à procura de uma princezinha, daquelas muito bonitinhas, com um corpinho de modelo, que fazem qualquer homem ter um sorriso parvo na cara, só porque gostavam que lhes pertencesse. Que fosse simpática, atenciosa, bondosa, e mais uma ou outra daquelas qualidades que darão uma bela rainha no futuro.

E o príncipe andou de país em país, de terra em terra, de cidade em cidade, de vila em vila, de aldeia em aldeia. Na sua busca, encontrou muitas princesas, mas nenhuma o preenchia, nenhuma o completava. Nenhuma era a “tal”, “aquela”.
Ele buscava felicidade, não conforto.

Isto, dizem, foi aí há uns 300 anos.
Segundo parece, o príncipe fartou-se da sua busca e casou com uma tal Branca de Neve. Só porque tinha 7 anões que a guardavam, tinha comido uma maçã envenenada e estava encarcerada num caixão de cristal. Ou seja, não podia fugir.

Isto é uma parvoíce não é? Eu sei. Mas que querem? Às vezes, temos alturas em que já nem acreditamos em contos de fadas.

segunda-feira, janeiro 19, 2004

UMA VIDA

Contente. Muito contente. Sente-se bem. Muito bem. Está bem disposta, está bem consigo própria. Sente-se bonita. Faz hoje 25 anos de casada. Uma vida.
Ainda se lembra de ser aquela jovenzinha de 17 anos, que, com um brilho intenso nos olhos se casou. Estava feliz. Era quem ela queria. O rapazinho mais bonito da aldeia.

Ele esteve quatro anos lá fora, lá longe, em duas comissões. Esteve muito tempo sózinha esperando por ele. Matando saudades por carta. Resistindo à solidão.
Mal ele chegou lá de longe, da guerra, casaram. Uma cerimónia simples, pelo registo. Mas bonita, aos olhos dela.

Hoje tinha ido ao cabeleireiro, comprou um fatinho que andava a namorar há meses e sente-se bonita, como há muito não se sentia.
- 25 anos são uma vida. – Pensa ela feliz, contente.

Ela espera-o ansiosamente. Para lhe cair nos braços mal entre. Fez um jantar especial. Jardineira. Que ele gosta tanto. Esmerou-se. Não quer que nada corra mal. Tirou os copos de cristal do móvel da sala. Aqueles que são para as ocasiões importantes.

Ela espera-o ansiosamente. São quase oito. Ele não costuma demorar-se tanto. Ouve a chave na porta. Levanta-se e tenta apanhá-lo no hall de entrada, estugando o passo enquanto se compõe.

Estica-se num abraço. E ele afasta-a. Quase violentamente.
- Não me venhas com palermices, que eu hoje estou cansado. – Diz, enquanto se dirige para o quarto, para se enfiar no roupão, nos chinelos e na sala. Como sempre. Como todos os dias.

Ela fica de braços levantados, imóveis. Ele nem olhou. Como se não quisesse ver. Como se ela fosse nada.
Vai para a cozinha. Enquanto sente uma dor vinda nem sabe de onde, de lá de dentro, mesmo do fundo, apertar-se na sua garganta. Ouve-o a dirigir-se à sala.
Quase a correr, mas tentando não ser ouvida, fecha-se no quarto. Enfia a cabeça no armário e agarra a almofada que lá está. Sente que a tormenta de lágrimas se aproxima e ela nada pode fazer. Apenas morder a almofada, para abafar os soluços. Para não ser ouvida.

E então chora. Lágrimas azedas de despeito, de tristeza, de se achar burra, por se esforçar tanto na “palermice”.
E chora pela indiferença.
Para ele, que nem se lembra, não é nada. Para ela, são 25 anos. Uma vida.

sábado, janeiro 17, 2004

SÁBADO...

Mais um dia, aqui, em Alverca. Sim, a do Ribatejo.
Pequeno almoço, jornais, sento-me um bocadinho e tento distrair-me. A ler.
Não consigo. E escrevo isto com um sorriso parvo, por já saber que não o conseguiria.

Uma neura não se cura de um dia para o outro. Acordamos sempre com a mesma tristeza.

Primeiro, porque nos sentimos impotentes, porque nos parece impossível mudar a situação. Parece que não há nada a fazer. Por mais que nos esforcemos. E eu esforço-me. Prometo!

Segundo, porque como muito bem diz o Al, é um tempo perdido. Este. Porque já não volta. Porque não mo devolvem. Porque foi desperdiçado com estas parvoíces.

E, em jeito de conclusão, porque podia estar agora, feliz, ao lado de alguém que ainda não encontrei (e que nem sei se algum dia o farei), a disfrutar momentos únicos, que, como todos sabemos, fazem parte de uma relação.

Foda-se! Tenho mesmo pressa em ser feliz!

sexta-feira, janeiro 16, 2004

NÃO SEI...

Não sei o que tenho, não sei o que me apetece, não sei o que diga.

Nem me correu mal o dia, mas senti-me estranho. Fora de mim. Como se fosse apenas um espectador da minha vida, sem nada poder fazer, a não ser olhar.

Nada me toca, nada sinto. Não tenho sensação alguma.
Não estou contente. Não estou triste. Estou ausente.
Parece-me, não sei...

Não me apetece estar aqui, nem em lado algum. Não me apetece dançar, não me apetece rir, não me apetece chorar, nem me apetece ficar triste. Não me apetece escrever, não sei...

Não me apetece companhia, não me apetece ficar sózinho. Não me apetece beber, nem fumar. Não me apetece um abraço, não me apetece um beijo.

Não sei nada de nada. Dia estranho este.
Se pudesse, saía deste filme e não voltava mais.
Não sei como mudar isto. É uma neura.
Parece-me. Não sei...

Só sei que me vou deitar, tapar-me e suar muito...para ver se me passa.

HÁ...

Há dias de sol. Quentes.
Há dias de chuva. Desagradáveis.
Há dias de vento. Frio.
Há dias de perda. Dorida.
Há dias tristes. De lágrimas.
Há dias cheios. De vida.
Há dias alegres. De riso.

Mas as noites, são todas iguais.
Solitárias...

quinta-feira, janeiro 15, 2004

OUTRAS MANEIRAS

A primeira vez que me apercebi que realmente me amaste, foi numa daquelas enormes conversas que tínhamos.
Só os dois, dentro do carro, conversávamos de tudo e de nada.

Descobríamo-nos. Tínhamos medo. Era tudo novo. Tentávamos acertar os ponteiros, tentar descortinar se valia a pena estragar o que já tínhamos.
Já nos tínhamos beijado. Já te sentia a falta. Já não me chegavam os dias de semana apenas. Mas ainda te estava a descobrir. Íamos a meio desta viagem de descoberta.

Tu criticavas o facto de eu fumar. Não podias com isso. Detestavas. Quando eu pegava num cigarro olhavas para mim de lado. Triste. E eu não percebia porquê.
Até que um dia, no meio de uma conversa acerca do fumo me disseste:
- Não quero que fumes porque daqui a 35 anos te quero ver ainda ao meu lado. Ao pé de mim. Percebes?!

Senti essa frase como uma bofetada. Como se tivesse acordado.
Tu, que ainda me estavas a descobrir, já querias estar a meu lado dali a tanto tempo. Imaginavas um futuro comigo. Havia um nós. E estavas a defendê-lo. Adorei-te por isso.

E tudo isto, só para te agradecer o facto de me mostrares que há outras maneiras de dizer amo-te.

quarta-feira, janeiro 14, 2004

MÚSICAS

Há músicas que já me disseram muito. Esta era uma delas.

TREASURE

She whispers
"Please remember me
When I am gone from here"
She whispers
"Please remember me
but not with tears...
Remember I was always true
Remember that I always tried
Remember I loved only you
Remember me and smile...
For it´s better to forget
Than to remember me
And cry"

"Remember I was always true
Remember that I always tried
Remember I loved only you
Remember me and smile...
For it´s better to forget
Than to remember me
And cry"

The Cure

É melhor esquecer, que lembrar-te e chorar. Pois...

terça-feira, janeiro 13, 2004

SONHEI-TE, OUTRA VEZ...

...Eu não queria, prometo. Foi sem querer. Mas ainda bem que te sonhei novamente. É que às vezes fazes-me falta.

Faz-me falta aquela sensação indescritível de felicidade, em que sorrio como um parvo que sou. É uma das únicas reacções que tenho. Sorrir de felicidade. De alegria. De uma paixão tão grande e tão estranha que chega a doer. Algo que apenas sinto quando sonho contigo.

Sonhei-te. Mais uma vez. Vieste visitar-me em sonhos. Como que a chamar por mim. Para que te encontre. Para que finalmente, me junte a ti.
Às vezes parece-me tão difícil encontrar-te. Tenho medo de perder-te e nunca te achar e que te aconteça o mesmo comigo.

Há outros dias em que acordo a pensar: É hoje!
E faço a minha vida devagar, a olhar para o mundo de uma maneira mais atenta. Quem poderás ser tu? Há tanta gente e não tenho olhos para tanto. Faz-me um sinal!

Eu vou logo a correr. Sabes isso. Se sentires as mesmas emoções e sentimentos que eu sinto nos meus sonhos contigo, saberás concerteza.
Tenta encontrar-me. Estou farto de estar para aqui, sózinho. Podes ter a certeza que hoje o vou tentar também.
Como faço todos os dias. Desde que te sonhei.

segunda-feira, janeiro 12, 2004

DESALINHADOS

- Tão pá?! Há quanto tempo, porra! Como estás?! Tudo bem?! - Ouço, enquanto sinto uma palmada nas costas. Viro-me. É um gajo qualquer que já não via há imenso tempo, de quem nem me lembro do nome. Esboço um sorriso. Parece-me.
- Está tudo...pá! E tu como estás?! – Conforme perguntei, arrependi-me. Eu nem me lembro dele quanto mais querer saber como ele está.

- Tudo bem. Já casaste? – Pergunta ele num sorriso ébrio.
- Não. Ainda não. – E chateio-me por dizer isto como quem pede desculpa.
- Ah não?! Pois olha, casei há dois anos aqui com a minha Matilde - Diz, puxando por um braço uma mulher pequenina, de sorriso envergonhado. – Não há nada melhor, pá! Tens de atinar. Já te fica mal andares por aí sózinho.
- Parabéns! Não sabia... – Felicito-o, olhando em volta em busca de salvação. Não a encontro.
- Quer dizer...casei mas não morri. - Diz-me enquanto pisca o olho. - Ainda dou umas voltas, de vez em quando... – Nova piscadela.

A esposa está ao lado dele, ouviu o que ele disse e ri-se. De uma maneira que não percebo. Nem entendo o porquê desse riso.
Não deve ser nada agradável ouvir isto da boca da pessoa com a qual casámos. Não percebo.

Não percebo porque se casam as pessoas se não amam realmente. Só porque tem de ser? Só porque fica mal aos olhos dos outros não termos ninguém? Só porque é uma premissa de normalidade?

Se é isso por isso tudo, compreendo o estômago da esposa. Não o aceito. Mas compreendo. Acomodou-se. Aos olhos dela, mais vale passar por esta humilhação, do que ser uma Encalhada.

Não há mal. Não me chateio. Não é comigo. Prefiro mil vezes ser um desalinhado que sonha a sua felicidade, do que me acomodar com alguém que não amo e que provavelmente, nem me ama. Só porque sim. Porque fica bem. Porque é normal.

sábado, janeiro 10, 2004

COMO SEMPRE

Abre a porta de casa. Chegou. Finalmente.
Desaperta o nó da gravata e tira o casaco, enquanto se dirige ao quarto. Vai-se despindo calmamente.

Entra na casa de banho e mete a água a correr, para que aqueça. Entretanto, vai, nu, meter qualquer coisa na aparelhagem, enquanto afasta os receios de que alguém possa vê-lo naquele estado. Não por vergonha, mas porque tem a mania de que há câmaras ocultas.

Não sabe que música escolher. Não há nada de novo. Nada que lhe apeteça. Decide-se por Radiohead. O The Bends.

Entra no duche. Saboreia-o. Saboreia e limpa o dia que teve. Escova-o bem. Afasta-o do seu corpo. Tenta limpar tudo, numa tentativa vã.
Sai do banho. Vai vestir umas calças de pijama e uma T-shirt.

Abre o frigorífico e tenta escolher o que há-de descongelar no micro-ondas. Decide-se por uma porra de uma pizza. E ele está farto de pizzas. Está farto de tudo. Nada lhe é novo. É o mesmo de sempre.

Põe aquilo a aquecer. Abre uma garrafa de vinho. Tinto, como sempre. Agarra um copo e enche-o. Tem erva guardada num sítio qualquer, mas nem isso lhe apetece.
Liga a TV, pode ser que tenha uma surpresa. Não. Nada de jeito. Mas senta-se à mesma.

Respira fundo e olha em volta.
Ninguém.
E mais uma vez se apercebe daquilo que tentava evitar. Que é um apenas e que está sózinho. Como sempre.

sexta-feira, janeiro 09, 2004

NO QUE ISTO DEU...

O meu primeiro blog foi este. Com o qual comecei com a minha amiga aqui chegadinha ao peito, Sara. Que ainda o mantém, crescendo de dia para dia de qualidade. Eu só o estragava. Comecei nisto por causa do pipi, mas depois tive a sorte de ter o primeiro comentário do João, que me fez ver que afinal até éramos lidos.

Finalmente, da vontade de construir algo meu e só meu, abri o Encalhado, que me fez ver o quanto gostava de escrever, que se tornou um "amigo" e com o qual descobri que há muitos como eu e outros que gostam de ler as encalhadelas que aqui meto.
Obrigado a todos. Mesmo. São os maiores.

Lembro-me do primeiro post onde escrevi: Vamos ver no que isto dá.

E no que é que deu? Não faço a mínima ideia.

quinta-feira, janeiro 08, 2004

TROPEÇÕES

Ontem tropecei nesta canção, interpretada pelos Resistência.

Trouxe recordações de uma adolescência de que tenho às vezes saudades, mas que sei que já não volta...

Que amor não me engana

Que amor não me engana
Com a sua brandura
Se da antiga chama
Mal vive a amargura

Duma mancha negra
Duma pedra fria
Que amor não se entrega
Na noite vazia?

E as vozes embarcam
Num silêncio aflito
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito

Muito à flor das àguas
Noite marinheira
Vem devagarinho
Para a minha beira

Em novas coutadas
Junta de uma hera
Nascem flores vermelhas
Pela Primavera

Assim tu souberas
Irmã cotovia
Dizer-me se esperas
Pelo nascer do dia

Zeca Afonso

quarta-feira, janeiro 07, 2004

BEIJOS

Há beijos...
Há beijos daqueles.
Quando duas bocas que ainda não se conhecem, se cruzam, se juntam pela primeira vez e já se conhecem, é magia.

Parece haver um total conhecimento daquilo que acontece, parece que já conhecíamos aquela boca, aquela forma de beijar.
Que conhecíamos aquele abraço, aquele respirar, aquele gemido. Que me deixava doido.

Era tudo novo, mas não desconhecido.
Não se consegue explicar.

Aqueles beijos eram uma carícia, um afago, um querer, um desejo, um sentir.
Eram um olá, um até já, um até amanhã, um até logo, um até sempre.
Era uma delícia, de tão saborosos.

Não consigo explicar.

Ainda me lembro deles, sim.
Magia dessa, quando acontece, nunca se esquece.
E amanhecer com eles, também não.

As saudades?
...Muitas.

terça-feira, janeiro 06, 2004

SOU CONTRA

Isto só para ficarem já avisados.

Sou contra o fecho ou o adeus ou o até breve, dos seguintes blogs:

Leite de Creme: Escreves como ninguém. Não deves menosprezar o dom que tens. Transmites as coisas de uma forma linda. De uma maneira que tira o fôlego. Não pares. Mesmo!

Luar: Se achas que nos deixas assim, sem mais palavras só porque te apetece, nem penses. Tens uma maneira tão incrível de escrever as coisas, que fazes doer. Escreve!

No limbo: Qual é a tua?! Anda lá, escreve! Sabes bem que a malta te vai lá ler todos os dias...não sejas assim, anda...escreve!

Sou contra! Voto NÃO! Porque estão aqui nesta listinha do lado esquerdo e porque adoro lê-los!

COMENTÁRIOS

Depois de uma terrível batalha contra os comentários, onde sofri uma derrota humilhante, fartei-me e tirei-os.

Peço desculpa por isso.

Mas se quiserem comentar, conversar, o que vos apetecer, façam-me o favor de me mandar por email: encalhado@mail.pt

Dá um bocadinho mais de trabalho, eu sei...mas sabe tão bem ler-vos...

NÃO SEI SE JÁ VOS TINHA CONTADO, MAS...

Às vezes, detesto ser como sou.

Isto é só para começar:
Pedante, parvo, estúpido, camelo, tótó, urso, palhaço, maniento, esquisito, preguiçoso, palerma, idiota, imbecil, egoista, narcisista, boémio, ignorante e inconsciente.

Hoje sinto-me assim...

A minha sorte, é que amanhã é outro dia...

segunda-feira, janeiro 05, 2004

UMA PERGUNTA

Que me ficou na cabeça ontem, o dia inteiro:

Porquê amar, se perder magoa tanto?

sexta-feira, janeiro 02, 2004

DE VOLTA...

Pois é...estou de volta...

Um bom ano para todos, que o melhor de 2003 seja o pior de 2004!

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