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quarta-feira, junho 30, 2004

E NADA MAIS ME OCORRE QUE O SIMPLES MAS MAJESTOSO...

Heróis do mar, nobre Povo,
Nação valente, imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!


Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d'amor,
E o teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!


Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Música: Alfredo Keil
Letra: Henrique Lopes de Mendonça


Estamos na final!!!

segunda-feira, junho 28, 2004

O CONSCIENTE

O Gonçalo era um gajo estranho. Sempre sisudo, sempre sério. Sempre consciente. Tão consciente, que se lembrava da mãe a mudar-lhe a fralda e da vergonha que sentia ao vê-la limpar-lhe o rabo borrado. Tinha recordações de tudo e também já tinha opiniões acerca de assuntos que nem sequer deveria compreender. Com 3 ou 4 anos, discutiu religião com dois mormons que lhe foram bater à porta. Explicou-lhes a sua maneira de ver Deus, a vida e a morte e explicou-lhes porque lhes era contrário. Quase que os convenceu.

Com 11, 12, arbitrava as discussões dos próprios pais, sem tomar partido, encontrava sempre uma ponte de entendimento para os progenitores. Aconselhava, acarinhava, fazia-os ver as coisas pela maneira correcta, quando algo corria mal.

Na escola, já sabia quase tudo o que era abordado e aborrecia-se, porque queria ir mais além. Saber mais. Os outros atrasavam-no. Nas coisas do sexo, em vez de andar a ver filmes porno ou a ler Ginas, aprendia em enciclopédias, folheava o Kamasutra. Teve consciência aos 13, do que era um orgasmo.

A consciência que tinha de si próprio, que o fazia sempre sisudo, sério, preocupado e com medo, perturbava-o. Porque o prendia. Porque não fazia as coisas que devia com a sua idade, porque tinha consciência que eram nefastas. Não tinha de aprender com erros, pois já os conhecia.

E então virou-se para o seu desafio maior. Aquele que sempre o consumiu. Era algo de inexplicável, de transcendente, de profano. Atirou-se de cabeça na sua resolução, sem medo, sem olhar para trás. Consciente.

Por isso, foi de sorriso nos lábios, por este desafio tão grande que estava prestes a resolver, que se atirou do 7º andar do prédio onde vivia.

quinta-feira, junho 24, 2004

PORTUGAL! ATÉ À VITÓRIA FINAL!

Heróis do mar, nobre Povo,
Nação valente, imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!


Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d'amor,
E o teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!


Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Música: Alfredo Keil
Letra: Henrique Lopes de Mendonça

PORTUGAL!

:-(

Acreditar! Sempre!

Obviamente demito-o! (Não sei porquê, mas esta frase sempre me deu coragem!)

Força Portugal, que sempre criaste homens destes!

FORÇA PORTUGAL!

Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.


Canto 1, Lusíadas, Luís de Camões

segunda-feira, junho 21, 2004

ESTANDO EU...

a trabalhar, de repente, nas notícias da rádio, repetem o relato do jogo, no momento do golo do Nuno Gomes.

Vocês podem não acreditar, mas até me arrepiei...
E apeteceu-me gritar à janela, novamente!

VIVA PORTUGAL!

terça-feira, junho 15, 2004

FOI HÁ BOCADINHO...

Mesmo ali atrás, no Verão passado, que andámos todos preocupados, com os incêndios que varreram as florestas do nosso país. Fogos que roubaram casas, que trouxeram choros e medo, que se viu gente a arriscar a vida para salvar o pouco que tinha. Falou-se e criticou-se a falta de meios que os nossos bombeiros tinham. A falta de prevenção.

Somos pequeninos e por mais que gritemos ninguém nos ouve. E também temos uma memória fraquinha, já nem nos lembrávamos dos incêndios que levaram tudo a tanta gente.

Os fogos florestais estão de volta, alguém viu ou soube de novos meios de protecção, de prevenção, alguma coisa? Eu cá não.

Os incêndios estão de volta. E foi há bocadinho, mesmo ali atrás, no Verão passado, que andámos todos preocupados com os incêndios que varreram as florestas do nosso país.

terça-feira, junho 08, 2004

SUPOSTAMENTE, NUMA TARDE DE VERÃO...

Supostamente, numa tarde de Verão, o Júlio deveria estar à beira mar.
Numa esplanada, de óculos escuros, a sentir o calor a morder-lhe a pele. Bebendo a sua terceira imperial, depois de dois banhos tomados.

Supostamente, numa tarde de Verão, o Júlio deveria ter casado, vestido de azul escuro, de rabo de grilo. Deveria ter dito que sim à mulher que amava, vestida de branco, linda como nunca. Deveria ter dançado uma e outra vez com a noiva e com metade das suas tias. Deveria ter bebido duas imperiais com os amigos de sempre, ao balcão. Deveria ter abraçado o pai e beijado a mãe. Sorrido para os olhos brilhantes de felicidade das avós.

Supostamente, numa tarde de Verão, o Júlio deveria ter tirado aquela foto de um pôr do sol, com a namorada mesmo por baixo, onde só se veria a sombra do corpo dela. Deveria ter-lhe sentido os lábios num beijo apaixonado, acompanhado por um daqueles abraços que todos sabemos como sabem bem. Deveria ter ouvido aquela palavra - amo-te - que arrepia e aquece ao mesmo tempo. Deveria ter brincado com os sobrinhos, num jantar de família. Ter conversado com aquela prima preferida. Deveria ter saboreado um bom café, com um digestivo dos bons, apenas pelo prazer de estar refastelado em frente a uma daquelas paisagens calmas que nos faz sorrir de felicidade.

Supostamente, numa tarde de Verão, o Júlio deveria estar vivo.
Não está.
Morreu já milhares de vezes, todos os dias, em todo o Mundo. Com todas as putas de guerras que nós, como bons filhos da puta que somos, andamos por aí, a inventar...

segunda-feira, junho 07, 2004

E SE...?

E se de repente te apercebes que estás errado?
Que tudo em que acreditas deixa de fazer sentido?
Que aquilo que querias, deixa de ter valor?
Que por mais que te esforces, souberes que não atinges o objectivo a que te propuseste?
Que vais morrer. Mais cedo ou mais tarde?
Que sempre tiveste medo de tudo, de arriscar, de te chegares à frente e mesmo assim te sentes confortável?
Que mais vale desistir, que seguir em frente? Apenas e só porque sabes como é que a história termina? E que não te apetece ver o final?

Apenas e só, porque ainda não acreditas que não és imortal?

quarta-feira, junho 02, 2004

COMO...

...hoje tenho pouco tempo, deixo-vos com esta música linda, que apetece sempre ouvir...

WAITING IN VAIN

I don't wanna wait in vain for your love
I don't wanna wait in vain for your love
From the very first time I blessed my eyes on you, girl
My heart says, "Follow through."
But I know now that I'm way down on your line
But the waiting feel is fine
So don't treat me like a puppet on a string
'Cause I know how to do my thing
Don't talk to me as if you think I'm dumb
I wanna know when you're gonna come

See, I don't wanna wait in vain for your love
I don't wanna wait in vain for your love
I don't wanna wait in vain for your love
'Cause it's summer is here
I'm still waiting there
Winter is here and I'm still waiting there
Like I said,
It's been three years since I'm knocking on your door
And I still can knock some more
Ooh, girl, ooh, girl
Is it feasible, I wanna know now
For I to knock some more?

Ya see, in life I know there's lots of grief
But your love is my relief
Tears in my eyes burn
Tears in my eyes burn while I'm waiting
While I'm waiting for my turn.

See, I don't wanna wait in vain for your love
I don't wanna wait in vain for your love
I don't wanna wait in vain for your love
I don't wanna wait in vain for your love
I don't wanna wait in vain for your love
Oh, I don't wanna, I don't wanna
I don't wanna, I don't wanna
No, I don't wanna, I don't wanna
I don't wanna, I don't wanna
I don't wanna wait in vain.

It's your love that I'm waiting on
It's my love that you're running from.

Bob Marley

terça-feira, junho 01, 2004

O FIM DO MUNDO

Isto não pode ter acabado mas não sou tão parvo que vá chorar à tua frente. Pelo contrário: apareço-te com um sorriso como se não fosse nada, sento-me à mesa, ponho o guardanapo ao pescoço por causa dos salpicos na camisa ( a minha mãe, coitada, que já vê mal, vê-se agora grega com as nódoas), digo
- Boa noite, Manuela

E como a sopa até ao fim, a falar disto e daquilo, sem dar a entender que estou triste, sem dar a entender que tenho um nó na garganta, sem dar a entender que sinto a minha vida em cacos porque juro-te que não sou tão parvo que vá chorar à tua frente. Tu levantas-te, tiras-me a colher, pões o meu prato em cima do teu, trazes o arroz de coelho da cozinha, e eu abrir uma garrafa de cerveja que às vezes sempre ajuda um bocadinho a dissolver a tristeza e o nó na garganta, e enquanto me sirvo do arroz fico à espera que me fales do Carlos.

No fundo pode ser que a culpa seja minha por adiar constantemente o casamento contigo, por vir aqui às segundas e às quintas e ir-me embora, à uma da manhã, com a desculpa de que, com a idade, deixa a porta aberta e se esquece do gás, com a desculpa de que sou filho único e só me tem a mim, quando a verdade é que os compromissos me assustam, me assusta a ideia de quereres ter crianças (não tenho jeito nenhum para crianças), e com tantas desculpas e tantos adiamentos era mais que certo que acabavas por te cansar e que se não fosse o Carlos era outro, o Carlos pelo menos é um rapaz sossegado, gosta de ti, a mãe dele é quinze anos mais nova que a minha e tem uma saúde de ferro, e uma mulher não pode passar a vida inteira à espera que um fulano decida, não pode passar a maior parte das noites sem companhia a ver vídeos na televisão, uma mulher precisa de conversar, precisa de um homem para tomar conta e eu não sirvo para isso, Manuela, levo o serão a olhar para o relógio com receio de perder o barco, despeço-me à pressa com um beijo na testa, telefono de fugida do emprego até que, na semana passada, me avisaste
- Preciso imenso de falar contigo

e eu entendi que me querias explicar que o Carlos estava disposto a dar-te o que eu nunca te dei, que não ligava com o teu feitio ficares sozinha, ires sozinha à praia, ires sozinha ao cinema, aguentar as anginas sem ninguém ao pé, e oiço a minha voz
- O coelho está óptimo

Farto de saber que não era isso que tu querias ouvir, farto de saber que o que querias ouvir era

- Eu caso-me contigo, esquece o Carlos.
Mas não consigo, não sou capaz, gosto de ti no entanto não me vejo, percebes, a viver contigo, o amor é uma coisa tão esquisita, Manuela, garanto-te que tenho amor por ti, garanto-te que adorava pegar-te na mão

- Eu caso contigo, esquece o Carlos
E as palavras não saem, tu a garantires-me em silêncio
- Se ficares quero lá saber do Carlos

E tudo o que sou capaz, que idiotice, é elogiar-te o coelho em lugar de te elogiar a ti, de te pegar na mão de te jurar
- Amo-te

Porque te amo, porque não conheço quem faça macramé tão bem, quem tenha a casa tão linda, a roupa tão asseada, nem um grão de pó na mobília, não conheço quem me trate como tu me tratas, acho que o Carlos tem uma sorte danada, acho que vou sentir a tua falta a doer-me e todavia não sou tão parvo que vá chorar à tua frente, falo contigo como se não fosse nada, enfio o guardanapo na argola, levanto-me, abotoo o casaco, e tu
- Preciso imenso de falar contigo

E eu, que não sou tão parvo que vá chorar à tua frente, eu a agarrar a maçaneta da porta
- Amanhã, amanhã.

Sabendo perfeitamente que não vou vir amanhã, que não vou vir nunca mais, que se viesse encontrava a mesa posta e o Carlos sentado no meu lugar, a comer o meu arroz de coelho e a propor-te
- Vamos tratar da papelada no Registo
Sabendo perfeitamente que daqui a dois ou três meses vou espreitar ao jardim da Gulbenkian, e lá estarão vocês e os padrinhos a tirarem fotografias junto à estátua, junto ao lago, e pode ser que me vejas, Manuela, pode ser que me distingas no meio dos arbustos, pode ser que olhes para mim como olhas agora
- Preciso imenso de falar contigo…

Só que não dirás nada porque é tarde, porque não podes passar o resto da vida a ires sozinha à praia, a ires sozinha ao cinema, a aguentar as anginas sem ninguém ao pé, talvez me acenes, talvez eu te acene e apanhe logo o autocarro porque a velhota precisa de mim, com a idade deixa a porta aberta e esquece-se do gás, e ao entrar a minha mãe preocupada
- Vens pálido, Jorginho!
E eu, muito depressa:
- Não é nada, mãe.

E sento-me no quintal das traseiras até ser noite e sem chorar, claro, que não sou tão parvo que comece a chorar, que mariquice chorar, eu não choro, não penses que choro, não choro, sento-me no quintal das traseiras até ser noite, a dar milho às galinhas, a dar milho às galinhas, a dar milho às galinhas.

António Lobo Antunes, in Crónicas

Muito bom texto, adoro as crónicas do Lobo Antunes :)

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