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quarta-feira, julho 28, 2004

HOJE, NÃO RESISTI
 
Hoje, nem sei o que se passou na minha cabeça. Acordei de decisão tomada. Não sei se sonhei, o que quer que tenha sido, fez-me acordar decidida.

Cheguei onde eles estavam, explodindo em câmara lenta. Interiormente. Enojada. 
Por fora, parecia ausente, dispersa, calma, sorridente. Meu Deus, o que nós conseguimos disfarçar. 

Entrei, decidida. Olhei-os. De novo o nojo me invadia. A ferida aberta, latejava, chorava. Confrontei-os. Chamei-lhes tudo. Tudo. De alto a baixo. Não ganhei nada. Mas sem saber porquê senti-me muito melhor. Isto tinha de ser feito. Libertado. Confrontado. Enfrentado.

Já está.
Hoje, não resisti.
Agora, é seguir caminho e esquecer... 

segunda-feira, julho 26, 2004

AMAR

"Imensidão que tolero em espaço curto. Que parece encher, mas que esvazia. Que acalma enervando.

E não me apetece estar em mim.

Já tinha escrito que há vezes que não queremos ser o que somos, que nos apetece escapulirmo-nos da nossa pele e ver o mundo à distância. Sem sentirmos. Sem morrermos.

Nunca se consegue.
Temos de viver o que somos. Viver o bem e o mal, o tudo e o nada. O todo.
Amar é a melhor sensação do mundo. Todos vocês que (ainda) acreditam sabem disso. Eu disse uma vez, que amar não implica esforço.

Menti.

Amar é sangue. Amar é dor. Amar é fogo."
 
(Autor anónimo)  

sexta-feira, julho 23, 2004

CARLOS PAREDES
 
Hoje morreu mais um bocadinho de cultura portuguesa.

Carlos, estarás sempre em nós, num movimento perpétuo...

quinta-feira, julho 22, 2004

OLDMAN ISTO É LINDO

Suposição  

Era suposto procurar-te incansavelmente
Gastando os meus melhores anos revirando estrelas e montes de folhas castanhas  
Supunha que tudo bom ou mau, teria sempre recompensa e procurei  

Juro  

Não fiz outra coisa a ponto de o tempo se atrasar para mim só para me permitir procurar ainda mais   nos locais errados ou muito cedo ou demasiado tarde  
Supus um dia ter-te encontrado
Mas é claro que não não teria lógica  
Que pode saber um homem a viver de suposições?  

Música de Fundo “Pain” - Everlast

Desculpa copiar-te mas não resisti!

TRABALHO
 
Às vezes, queria sair daqui para fora. Agarrar em mim, no carro e sair, simplesmente.
Às vezes, dá-me a maluqueira de querer andar por aí, conhecer, passear, sem horários e sem rotinas.
Montar numa bicicleta, mochila às costas, como aqueles com ar nórdico, vermelhos do sol, que eu via passar na minha infância.
 
Às vezes, penso se valerá mesmo a pena tanta chatice, tanto trabalho, tanta preocupação?
 
Uma das primeiras lições que me deram foi que da vida a única coisa que levamos é um fato e uns sapatos. Nascemos nus e somos enterrados numa caixa de madeira com um fato. Isso assusta-me. Saber que daqui a uns 100 anos ninguém se vai lembrar que existi. Ninguém.
 
E pronto, já divaguei. Agora é tempo de voltar para o trabalho.

quarta-feira, julho 21, 2004

DESMAIOS
 
Encolho-me num estertor exangue. Consciência que me abandona em final de tarde, como se adormecesse.
- Morro! – Pensei...
 
Luzes infindáveis, lentas, que parecem aglutinar-se em mim, como se percebesse tudo o que me rodeia, ao milésimo de segundo. Vejo movimentos, mãos que me tocam e de que não me consigo desviar. Sinto-me enojado, parece-me.
 
Grito. Ou pelo menos sinto-me gritar. Gritos mudos, que nem se ouvem, que apenas me fazem perder o fôlego. As mãos deixaram de me tocar, ou pelo menos deixo de as sentir e ainda assim, sem me sentir tocado, o medo invade-me e eu, gelo, sem defesas. Respiro fundo. Parece-me.
 
De repente, vindo nem sei de onde, ouço vozes lá muito ao fundo, que chamam por mim. Mal consigo levantar a cabeça para saber de quem são. Sinto novamente o brilho estonteante de mãos que a mim se dirigem. Distingo sons, mas não os decifro.
 
Parece-me que estou de braços cruzados, esperando acordar, como que não acreditasse que estou assim, inerte, desmaiado. Estou zangado, mas nem me lembro porquê. Só quero ver-me livre desta merda.
 
De repente, as vozes, as luzes voltam.  Distingo cores e formas.
Acordei. Finalmente!
Foda-se!

segunda-feira, julho 19, 2004

QUEM?! EU?!
 
Notícia
 
Eduardo do BLOGUICES indigitou-me no seu governo para Ministro da Cultura.
 
Estou orgulhoso! Obrigado Eduardo.

O CANAVIAL
 
Seguindo, tremendo, os amigos, achou-se num canavial, juntinho a um complexo desportivo. Aí, dois rapazes e uma rapariga, que não deviam ter mais de 20 anos, estavam acocorados fazendo uma roda. Uma roda, não. Um triângulo. Visto de cima, era um daqueles sinais de radioactividade. Reconheceu a rapariga dos tempos de primária. Uma daquelas miúdas que nunca pensou jamais em tempo algum, ver naquele estado.
 
Foi a primeira vez que viu, in loco, um chuto, um não, vários. A operação é repetitiva. Destila-se o veneno numa carica enferrujada, depois filtra-se tudo com um filtro de cigarro, deitando o resultado na seringa. Enterra-se a agulha no braço e puxa o sangue, que aparece, vermelho vivo.
- Só um minuto... - Disse ela, num olhar de reconhecimento - Eu lembro-me de ti, lá da escola...
E mete a mistura para dentro do corpo, puxa o êmbolo outra vez, e mete lá tudo novamente.
Ainda com a agulha espetada, pediu desculpas, num sorriso desdentado. 
 
Ele arrepiou-se. Não sabia o que lhe dizer. Quis fugir, mas não conseguiu.
Deu-lhe os iogurtes, os pães, alguma roupa e virou-lhe costas. Sentia-se culpado, como se pudesse fazer alguma coisa. Como se pudesse ter mudado outra vida, que não a sua.
 
Ao caminhar, sentiu o olhar da sua antiga colega de escola, uma daquelas miúdas que nunca pensou jamais em tempo algum, encontrar naquele estado, nas suas costas.
E perguntou-se como é que a vida dá estas voltas...

quinta-feira, julho 15, 2004

TEMPO

Nunca repararam que o tempo passa a correr quando nos divertimos, quando estamos contentes e felizes?
E parece que não passa quando esperamos, estamos aborrecidos, tristes ou chateados?

Deixo aqui uma pergunta:

Vivemos felizes sem dar pelo tempo passar?
Ou
Vivemos aborrecidos, contando cada minuto, lentamente?

quarta-feira, julho 07, 2004

1972

Ano em que vi a morte de perto.
Numa missão de rotina, patrulhamento aéreo, nada de especial. Negage – Nova Lisboa – Negage. Igual a tantas outras que fiz.

É a minha segunda comissão aqui. Nem sei porquê. Por não ter expectativas lá na metrópole. Aqui, sou miliciano, mecânico aeronáutico. De vez em quando, para afastar a rotina, faço voos rotineiros. Como este.

De repente, sem saber como o motor falha. A porra do T36 começa-me a falhar, e logo este que tratava nas palminhas.
- Foda-se! – Pensei ao ver a aflição do piloto. Um puto como eu, que aos 18 anos andava já com um avião nas unhas. (Havia de ser hoje!)

De repente, sem perceber como, embicamos para o solo, eu feito sei lá o quê, a afastar-me o mais que posso do solo, pendurado na cadeira. O outro coitado em pânico, chama por mim.

De repente, num momento oportuno e de grande valentia, o puto aguenta a perda, pára a queda e endireita o avião. Sem trem de aterragem, sem travões, nada, encontramos o solo.

Solavancos vividos ao segundo, mil imagens povoam-me a cabeça. É incrível como estamos conscientes e conseguimos ter tempo para pensar, ver, sentir. Temos mesmo tempo para tudo.

De repente, paramos. Silêncio. Mexo-me devagarinho, ainda não acreditando que estou vivo. Abro a carlinga, salto cá para fora. Não me dói nada.
Estou vivo. Vivo! E sem saber porquê, desatsmos, o meu companheiro e eu, a correr savana fora, aos gritos. Felizes.

Se não tem sido uma mão qualquer a agarrar-me, ainda hoje correria em África.
Feliz. Por estar vivo.

domingo, julho 04, 2004

POR MAIS...

...Que se me parta o coração, que se me embargue a voz, que me caiam as lágrimas...

VIVA PORTUGAL!

sexta-feira, julho 02, 2004

16000

Visitas...

Uma barreira que nunca pensei ser transponível quando iniciei o Encalhado, foi transposta hoje.

O meu mais sincero obrigado a todos!
Vocês são os maiores!

O MUNDO ESTÁ LOUCO!

Espanhóis a falarem bem de Portugal?!
Estranho, mas vale a pena ler...(recebido por e-mail)


ELOGIO DE PORTUGAL, UN PAÍS CON UNA FEROZ LIBERTAD DE EXPRESIÓN, DEL QUE LOS ESPAÑOLES TENEMOS MUCHO QUE APRENDER

01/07/2004 (Con Lupa)

Muchos españoles están descubriendo estos días, aparentemente sorprendidos, la existencia en la casa de al lado de un vecino llamado Portugal, un vecino bastante más pobre que nosotros pero capaz de organizar una evento tan importante como un Campeonato de Europa de fútbol, de construir una serie de estadios, todos magníficos, de ganar a la millonaria selección española, e incluso de colocar como presidente de la Comisión Europea a uno de sus políticos, José Manuel Durao Barroso.

Ese país, cuya selección jugó y ganó ayer la primera semifinal de dicho campeonato contra Holanda, lo cual ya es de por sí un triunfo, sigue siendo un gran desconocido para España y los españoles. ¿Por qué? Porque los españoles, con la inveterada suficiencia de quien se cree superior, se han negado siempre a entender –en realidad ni siquiera lo han intentado- a Portugal y los portugueses.

Cuando la realidad es que España y los españoles tendrían –tendríamos- mucho que aprender de nuestros vecinos atlánticos. Aprender y lamentar la ausencia en España de esa elite intelectual, empresarial y política que habla idiomas, elite muy cercana a Gran Bretaña y a la cultura francesa, muy poco hispanófila, pero muy tolerante, muy abierta, muy cosmopolita.

En Portugal sería impensable contar con un presidente de la República que no hablara francés e inglés. La mayoría de los portugueses se esfuerzan por hablar español ante españoles, haciendo gala de una actitud cívica en el trato que tan difícil es de encontrar en el páramo hispano.

El presidente, Jorge Sampaio, vive en su casa, en su propio domicilio, como el primer ministro. A ninguno le da por convertirse en un Trillo. Nadie enloquece con el cargo. Nadie se prevale de su condición. Antonio Vitorino, actual comisario europeo, dimitió de su cargo como ministro –socialista, por cierto- tras descubrirse un desfase de 8.000 escudos (unas 6.000 pesetas) en las cuentas de su ministerio.

Semanas atrás, el presidente ZP se trasladó a Lisboa en su primera visita relámpago al país vecino, y no se quedó a cenar con Durao Barroso a pesar de haber sido invitado. Todo un síntoma. Vistas así las cosas, no es extraña esa inveterada desconfianza que comparte la clase política portuguesa hacia España, desconfianza que la prensa se encarga de mantener viva. Sus razones tendrán.

Todo el edificio de ese Portugal Abierto –la vieja aspiración de quienes aquí persiguen una España Abierta capaz de superar sus viejos atavismos- se asienta seguramente sobre una feroz libertad de expresión que todos defienden y que se manifiesta en los debates –políticos, económicos- que se celebran en la televisión y en los textos que aparecen en diarios y semanarios (de gran importancia en el país vecino).

Comparar esa libertad de prensa, ese valor cívico del que hacen gala las elites portuguesas para hablar alto y claro, y criticar lo que juzgan merecedor de crítica, con el miedo a hablar de nuestros ricos, de nuestros empresarios, de nuestros políticos, fieles devotos de la ley del silencio, y con el secretismo y la rendición a los poderes políticos y económicos que hoy caracteriza a la prensa española –no digamos ya a la televisión- es como para echarse a llorar. ¿De qué presumen, entonces, los españoles ante Portugal y los portugueses? Ese es, sin duda, uno de los grandes misterios de la Historia Universal.

Jesús Cacho
jcacho@elconfidencial.com

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